Caro Filixera,
a tua análise é interessante se bem que descura o objectivo principal que motivou a invasão do Iraque. Esqueça-se então como principal motivo invocado, o combate ao terrorismo. As razões foram de facto outras. Recorde-se que em 1991, houve um trabalho que ficou inacabado após a 1ª guerra no Iraque, despoletada pela ocupação do Koweit, à época do George Bush pai. Lembremos ainda os resultados dessa acção militar motivada também pela mesma razaão... a saber o controlo dos reservatórios petrolíferos do subsolo iraquiano, a quarta potência no que respeita a reservas de petróleo.
A primeira acção, a “libertação” do Koweit, apenas serviu como desculpa para tentar retirar um ditador sangrento (que os americanos lá colocaram), que apoiava as acções terroristas dos países que falas, o Irão, a Líbia, a Síria, etc.
Após a retirada de Saddam do país que invadiu, ficou uma questão por resolver, dado que o ditador ficou no mesmo sítio, os massacres a civís continuaram, mas o ouro negro esse era inatingível. De seguida, desencadeia-se sob a égide da ONU um embargo à exportação de petróleo iraquiano sob a designação “oil for food”. Foi uma excelente ocasião para manipular as reservas produzidas, bem como uma forma de controlar um senhor incontrolavel, que podia a seu bem querer inflenciar os preços do crude. Desta política, inúmeros civís morreram resultado da fome e falta de cuidados básicos, o país recrudesceu em fundamentalismo islâmico, enraizou o seu anti-americano e propagou a repressão interna.
Com a segunda guerra do Iraque, parcamente embrulhada na bandeira da luta anti-terrorista, a oportunidade surge de novo mas desta vez contra um país muito debilitado após anos de embargo. O cinismo aumenta e o lucro também. Além de agora controlarem os campos de petróleo, os americanos conseguiram também passar a perna aos franceses, alemães e russo que tinham ficado com uma parceria após o primeiro conflito. Passam pois também a controlar as empresas que operam no território, empresas essas ligadas à exploração petrolífera. Uma delas, na posse de um dos secretários de estado, agora da geração George W. Bush, que é o senhor Dick Cheeney, ex-presidente da empresa Halliburton. Esta empresa entre muitas outras, são o garante que a economia americana funciona. Não é só a indústria de armamento que lucra com isto.
E como dizes, o Irão é apetecível, mas não do ponto de vista humanitário, da democracia ou outra razão. É-o por estar no terceiro lugar do campeotato de reservas de petróleo e com isso controlar a seu belo prazer os volumes que saem do país, logo, ter como reféns nós, os consumidores de combustíveis do mundo “civilizado”. Só que estes têm acesso a armamento atómico...
Sem comentários:
Enviar um comentário