Muito já foi dito sobre este tema. Portugal, o país mais ocidental da Europa, tem muitos predicados. Creio que até demais. Entre os mais vulgares surgem, o país do sol, da boa comida e do bom vinho, da afabilidade. Este é o sumário do que seria um país agradável. Porém num universo em que poucas coisas são rosas, senhor, muitas das virtudes nacionais diluem-se com os adjectivos comummente escutados que se aproximam de, trafulha, desqualificado profissionalmente, atrasado social crónico e por aí fora, num rol depreciativo.
Há ainda o predicado que creio talvez melhor caracterize na actualidade o país luso de sardinhas e fado – o país do desenrasca. E caracteriza para o melhor e para o pior. Pela capacidade de perante uma adversidade dar a volta por cima, através de inteligência e sentido de oportunidade, do fazer por vezes muito a partir do que se tem de pouco. Pela falta de sentido de estratégia, de planificação, que mina logo à partida o processo e gera mais um dos grandes paradigmas lusitanos, a “pescadinha de rabo na boca”. Insolúvel.
Num país pequeno e sem grandes recursos naturais, o discurso de médio prazo de um oráculo, não fugiria a um destino mediocre e apagado no panorama de um globo em globalização. Neste país, donde sairam já naus para as aventuras das descobertas, que foi pioneiro na abolição da escravatura, a mediocridade parece instalada para ficar.
Fica por implantar uma sociedade baseada nos valores da igualdade, fraternidade e da liberdade. Fica por cumprir a utopia, lançada pelo pensamento social do Homem ao longo de eras de filosofia.
No país do desenrasca, os governos desenrascam políticas sem procurarem saber se serão boas ou más. Os trabalhadores desenrascam trabalho feito, em condições que se sabe não deveriam ser. Em casa desenrasca-se uma obra que tinha mesmo que ser feita. Nas empresas desenrasca-se uma existência fundada na ainda alma neo-salazarenta do pobres, já sem o epíteto de honrado. Uma filosofia de vida da sociedade, em que o desenrasca mantém o povo à tona de água, num mar poucas vezes calmo, principalmente em termos ecomómicos. Desenrascam-se negócios para os amigos. Desenrasca-se uma multa que não dá jeito pagar. Desenrasca-se um fiado para quem não pode pagar. Desenrasca-se um país à rasca sem saber para onde vai.
Há ainda o predicado que creio talvez melhor caracterize na actualidade o país luso de sardinhas e fado – o país do desenrasca. E caracteriza para o melhor e para o pior. Pela capacidade de perante uma adversidade dar a volta por cima, através de inteligência e sentido de oportunidade, do fazer por vezes muito a partir do que se tem de pouco. Pela falta de sentido de estratégia, de planificação, que mina logo à partida o processo e gera mais um dos grandes paradigmas lusitanos, a “pescadinha de rabo na boca”. Insolúvel.
Num país pequeno e sem grandes recursos naturais, o discurso de médio prazo de um oráculo, não fugiria a um destino mediocre e apagado no panorama de um globo em globalização. Neste país, donde sairam já naus para as aventuras das descobertas, que foi pioneiro na abolição da escravatura, a mediocridade parece instalada para ficar.
Fica por implantar uma sociedade baseada nos valores da igualdade, fraternidade e da liberdade. Fica por cumprir a utopia, lançada pelo pensamento social do Homem ao longo de eras de filosofia.
No país do desenrasca, os governos desenrascam políticas sem procurarem saber se serão boas ou más. Os trabalhadores desenrascam trabalho feito, em condições que se sabe não deveriam ser. Em casa desenrasca-se uma obra que tinha mesmo que ser feita. Nas empresas desenrasca-se uma existência fundada na ainda alma neo-salazarenta do pobres, já sem o epíteto de honrado. Uma filosofia de vida da sociedade, em que o desenrasca mantém o povo à tona de água, num mar poucas vezes calmo, principalmente em termos ecomómicos. Desenrascam-se negócios para os amigos. Desenrasca-se uma multa que não dá jeito pagar. Desenrasca-se um fiado para quem não pode pagar. Desenrasca-se um país à rasca sem saber para onde vai.
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