quarta-feira, dezembro 06, 2006

pelo SIM!

Agora que o Presidente da República marcou a data de 11 de Fevereiro para o novo referendo sobre a despenalização do aborto, teço considerações pela luta por um Portugal melhor e mais justo, por um país que não seja regido por leis retrógradas e castratórias.
Mais uma vez se levantam os porquês éticos, religiosos, científicos sobre esta escolha que muitas mulheres são forçadas a fazer. Forçadas a fazer, porque nenhuma a faz por desporto ou por leve escolha, como quem se levanta da cama e decide tomar o café numa pastelaria diferente.
Mais uma vez vamos assistir à polarização dos defensores “da vida” contra os ditos libertinos e irresponsáveis. Mais uma vez iremos escutar argumentos falaciosos de uma minoria para obrigar todos a serem regidos por valores despóticos e muitas vezes fundados na hipocrisia.
Espero que desta vez, a apatia e o conformismo não levem a sua avante e que nesta oportunidade, não se deixe que opinião de outrem passe como sendo a nossa. Acreditemos ou não no referendo ou na legislatura directa sobre o tema, o importante é mesmo ir votar.
É preciso decidir se queremos que mulheres sejam perseguidas nos tribunais por uma opção que mais ninguém tem o poder de questionar. É preciso decidir se queremos que os abortos se continuem a realizar nas clínicas de Espanha ou Inglaterra, nos “vãos de escada”, com o recurso a mezinhas ou a encoberto de falsas maleitas que acabam no hospital. É preciso decidir se queremos que tudo fique na mesma.Por isto e por muitas outras razões mais não devemos deixar que mais mulheres sejam perseguidas em tribunais, tendo exposta a sua privacidade. Não vamos deixar a ignorância faça a sua selecção social.