quarta-feira, junho 06, 2007

Os neo-fascizoides

Andam por aí investidas dissimuladas do que classifico como avanços neo-fascizoides apalermados. Dizem-se de esquerda, socialistas e estão no poder; no governo; alguns até são ministros, secretátios de estado; pessoas em lugares proeminentes, de responsabilidade. São essencialmente pessoas que a cabo de uma vontade política de mostrar serviço àqueles que realmente têm poder, fazem disparates inúmeros em nome de uma voz supostamente socialista, mas claramente sob influencia de outras vontades mais neo-liberais, tipo patronatos, interesses económicos poderosíssimos e capital assilvestrado.
Exemplos. Querem pôr um aeroporto na Ota em detrimento de outra localização qualquer. Os estudos não são públicos, as razões invocadas pelo ministro são (como alguém no passado invocou) de um inconsequente mental. É contra toda a razão democrática e de liberdade, tomar opções sem todos os dados e sem que estes sejam divulgados de forma clara e unívoca.
Outro exemplo. A directora regional da Educação do Norte suspendeu um professor que satirizou (como todos nós, com algum sentido de humor) a dita licenciatura de engenharia de J. Socrates. A senhora directora foi reconduzida no cargo, certamente com louvor ao seu servilismo proteccionista da imagem impoluta do Sr. Primeiro Ministro.
Mais um exemplo. Um departamento do ministerio da finanças teve a brilhante ideia pidesca de registar os trabalhadores que fazem greve. Essa que foi geral no dia 30 de Maio passado. Isto para mim é persecutório e digno daquele que foi eleito o melhor(????) português, A. O. Salazar, o Botas! No final esta medida foi felizmente anulada.
E ainda outro exemplo. Há uns meses atrás o Manuel Pinho, ministro ele também, foi à China defender os baixos salários em Portugal, por forma a sermos competitivos. Pois. Lá veio palermice... Isto não é socialismo, não é esquerda, não é igualdade, nem fraternidade nem nada que se pareça. É capitalismo. Puro!
E agora para algo completamente diferente, mais um exemplo. Fala-se em suspender automaticamente os autarcas que sejam constituido arguidos em casos de falcatruas, piratarias e outras vilanagens caramárias, etc e tal. Então e os ministros? E os secretários de Estado, os Directores Gerais de colocação política? Isto parece-me estranho. Ora, se uma pessoa só é culpada quando o juiz manda a sentença cá pra fora e depois de todo o julgamento terminado, parece-me bastante fascizoide excluir alguem, mesmo que tenha pala no olho e perna de pau, sem culpa formada. Lá vai uma paulada no Estado de Direito. Querem moralizar o serviço público e político? Façam-se respeitar. Aumentem a fiscalização, façam cumprir as leis que já existem para todos os Zés Povinhos e apliquem-nas aos gajinhos do poleiro.

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