segunda-feira, janeiro 23, 2006

um balanço eleitoral

Reconheço aqui com infelicidade extrema, a vitória tangencial do candidato Cavaco sobre uma esquerda fragmentada e inócua, face ao sublime ardil e calculismo da direita. O candidato foi bem instruído, não se expondo de forma a sofrer ataques nocivos à sua estratégia. O povo, numa resposta titubeante, ficou parcialmente alheio à significância do acto eleitoral, tal como os valores da abstenção o comprovam.
O panorama socialista, disperso por uma política errada fundamentada no oportunismo caciquista pró-governo Sócrates surge aqui como um dos responsáveis pela sua derrota. Este é o exemplo do seguidismo Soarista do aparelho do PS e da regimentação das medidas de combate ao défice.
Alegre, congregando um vasto grupo de apoiantes foi incapaz de mobilizar a restante esquerda, o centro centrão, o vota aqui-vota ali que defende o seu status quo.
Quanto a Louça, mostrou mais uma vez que lutar vale a pena, obtendo uma razoável votação apenas superada pela vitória clara de Jerónimo de Sousa, que esteve no seu melhor, num digno combate na esquerda.
Aceitando democraticamente os resultados eleitorais, sobra-me o sabor acre de ver coroado um personagem risível e suspeito, na certeza que os argumentos para o combate político se tornam mais válidos e mais urgentes.

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