quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Contra a humilhação... Voto SIM

Há quem tenha um certo prazer mórbido em ver outrém rastejar no chão, exercendo daí o seu poderzinho caquético e fascizante. É o caso de muitos dos apoiantes do Não, para o referendo sobre a despenalização do aborto. Vejam-se os casos de Maria José Nogueira Pinto ou Bagão Félix, o monstruoso médico Gentil Martins ou até o patético treinador Fernando Santos, que de futebol sabe pouco e sobre este referendo não sabe nada. Esta gente na sua altura de pedestal conferida pela posição social e mediática crê-se capaz de argumentar sobre este assunto. Usam tipicamente argumentos ocos, enganosos, à cata do portugûes mais ignorante, lançam a confusão e fazem um sapateado beatífico para não se lhes ver efectivamente o ridículo do que professam.
Uns querem despenalização, mas manter o crime. Outros querem crime acima de tudo. Querem pois, exercer a sua tutela paternalista e pífia de tanta hipocrisia, sobre quem, em condições que nem saberemos ao certo discutir, optou por realizar um aborto.
Procuram assim, esmiuçar em tribunal, frente a câmaras de tv, em páginas de diários e ondas de rádio, mistificar o sentido da vida. Buscam assim, encher-se de sabedoria e doutrinar os pobres de espírito, fazendo crer que realizar um aborto é uma espécie de passatempo.
Esquecem eles, e mais uma vez o digo convictamente, que nenhuma mulher o faz de ânimo leve. Qualquer uma no exercício do seu juízo perfeito, sabe, que fazê-lo corre riscos. O da própria vida. Os psicológicos. O sentido de perda. A dúvida da opção correcta. Mas sabem-no certamente, que no momento em que o decidiram fazer, não poderiam suportar outra escolha.
Perseguindo as mulheres e impondo-lhes uma moral, contribui-se assim para a vergonha do aborto clandestino, porque se numa sociedade sem tolerância, a vergonha e o medo acabam por reinar.
A criminalização é isto mesmo. É julgar e não ser julgado, impondo modelos morais só porque se pode e esquecer ao mesmo tempo as razões porque as coisas acontecem.

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